[QD-Filosofia] ASAS OU AMARRAS?

Ronaldo Cardozo Lages <lages-cntqKDEjfW984TlJkP1cNF/I71DsQ//[email protected]>
Newsgroups gmane.org.user-groups.quilombo
Organization PROCERGS
Message-ID <[email protected]>
Agência Carta Maior - Direitos Humanos

ASAS OU AMARRAS?

Guerra da propriedade intelectual definirá futuro do software livre

Softwares livres como o sistema operacional GNU-Linux ganham cada vez mais espaço entre usuários de diversas categorias pelos mais variados motivos. Para professora inglesa de Direito, porém, a grande batalha contra as corporações do setor ainda está por vir.

Maurício Hashizume    24/08/2004

Brasília – Adotado cada vez mais por usuários de diversas categorias pelos mais variados motivos, o software livre (com código-fonte aberto e não-proprietário) chega a sua fase “adulta”. O futuro de programas de computador como o sistema operacional GNU-Linux, alternativa ao Windows pertencente a Microsoft, dependerá do resultado de uma verdadeira guerra entre os que defendem “asas” para proporcionar vôos livres de criatividade ou “amarras” para garantir lucros. A batalha decisiva, segundo a professora de Direito Maureen O‘Sullivan, da University of the West of England (UWE) do Reino Unido, se concentrará na forma como a propriedade intelectual de softwares será legalmente encarada.

Na opinião de Maureen, que participou de uma audiência pública sobre o tema nesta terça-feira (24) na Câmara Federal, estamos diante de uma “armadilha dos direitos e dos incentivos à propriedade intelectual”, sustentados na argumentação do enriquecimento da sociedade e na criação de empregos. “Esses argumentos sustentam que você tem direito ao que você criou e exclui outros dessa criação, o que é uma postura filosófica baseada numa leitura errônea dos trabalhos de um filósofo do século XVII”, explica a professora de Direito. Dentro do escopo da proteção total à propriedade intelectual, nenhum pesquisador se sentiria estimulado a produzir inovações se não houvesse a garantia integral desse direito. O caso do próprio GNU-Linux pode ser tomado como um paradigma diferente: o sistema operacional que tem como símbolo o pingüim "Tux" conta com a contribuição de sete vezes mais programadores voluntários do que a maior empresa privada de desenvolvimento de software do globo.

“As leis de propriedade intelectual são o terreno das grandes multinacionais. Afinal, elas praticamente escreveram e continuam escrevendo as leis”, observa a especialista. “Este será o campo de batalha, a meu ver, no qual companhias de software proprietário de software escolherão para lutar”.

“A legislação de softare livre ainda está num estágio de crescimento em seu desenvolvimento sócio-legal. Tem amadurecido como um fenômeno evidenciado em sua larga adoção por todo o mundo, mas legalmente sua situação é precária”, pondera Maureen. “Batalhas estão por vir e, se a experiência nos diz algo, é que o esforço [para minar legalmente o software livre] será contínuo e haverá muito mais manifestações [por parte das grandes corporações do setor]. As posições são: software livre x software proprietário; leis informais x legislação [consolidada]; [controvérsias] locais e mecanismos de disputas informais x tribunais e leis consuetudinárias. Em suma, sociedade x grandes empresas”.

De acordo com ela, já que todos os interesses conservadores têm trabalhado em conjunto para criar o clima legal corrente (software proprietário, leis, julgamentos e corporações), “todos os que advogam pelo software livre devem unir forças e criar um ecossistema para proteger o recurso”. Para fazer efetivamente isso, a professora recomenda uma formulação conjunta e multi-setorial que envolva todos os movimentos organizados da sociedade civil na elaboração de políticas contra uma legislação que favoreça as empresas que exploram a propriedade intelectual de softwares.

Para dar um exemplo prático do poderio dessa articulação não-governamental, Maureen recorreu à experiência da mobilização contra os alimentos transgênicos ou organismos geneticamente modificados (OGMs) – que também reuniu interesses de grandes empresas, tecnologia e aspectos sociais - na Europa. A sociedade civil agiu de maneira tal nesse caso que os transgênicos não puderam ser cultivados na Inglaterra e na Escócia por quatro anos, de 1999 a 2003. “Até os cientistas concluíram que todo os três grãos testados estavam causando prejuízo ao meio ambiente, mas o governo quis ir adiante de qualquer forma e autorizou o cultivo [de OGMs]”, conta. A sociedade civil então se organizou basicamente pela Internet. Cidadãos e cidadãs deslocaram os políticos do debate e negociaram diretamente com as multinacionais. Resultado: 10 mil pessoas decidiram que arrancariam cada transgênico plantado ao assinar um termo de compromisso organizado por um grupo que se autodenominou “greengloves” (luva
s verdes).

O episódio dos transgênicos na Europa permite uma reflexão bastante oportuna, na linha de raciocínio da professora. A democracia representativa existe, frisa ela, porque o povo confiou sua representação aos políticos. “Se isso não está mais funcionando, a democracia participativa ocupa uma parte maior na sociedade e, mais cedo ou mais tarde, o povo dirá: ‘sem representação, não há tributação‘”.

Fonte: http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?id=2224&cd_editoria=004&coluna=reportagens

-- 

Obrigado por tua especial atenção.
Paz, Vida Longa e Prospere!

TC Ronaldo Cardozo LAGES
Direto: lages-cntqKDEjfW984TlJkP1cNF/I71DsQ//[email protected]
PROCERGS - Divisão de Tecnologia e Infra-estrutura
Tecnologias Especializadas - Software Livre
Fone: (51)3210-3273 - ICQ: 3640360
Porto Alegre, Rio Grande do Sul - Brasil

_______________________________________________
Quilombodigital-filosofia mailing list
Quilombodigital-filosofia-lWjjnNBg0S7cOli+L/M/[email protected]
http://listas.quilombodigital.org/mailman/listinfo/quilombodigital-filosofia
lmpx.com only provides a reader for public news (NNTP) servers. It is not affiliated with the servers or forums shown here and is not responsible for the content of articles, which is written by their respective authors.