[QD-Filosofia] Gartner: PCs vendidos com Linux acabam rodando Windows pirata

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Para se pensar...

Gartner: PCs vendidos com Linux acabam rodando Windows pirata
Notícia publicada por brain em setembro 30, 2004 12:00 PM | TrackBack

Arkhanjo (arkhanjo.linux-y7mWNqJcIDpfJ/[email protected]) enviou este link e acrescentou:
"Li, no site da COMPUTERWORLD, que em um levantamento do Gartner Inc.,
mostra que 80% dos PCs vendidos com Linux acabam, no final das contas,
rodando uma versão pirata do Microsoft Windows. 'Apesar de a venda de
PCs com o Linux em mercados emergentes da América Latina, da Ásia e do
Leste Europeu estar em franco crescimento, cerca de 80% dos
microcomputadores comercializados com o sistema operacional de código
aberto vão, no final, rodar versões piratas do Windows, da Microsoft.
A estimativa faz parte de um relatório do Gartner Inc.' Isso nos pede
um momento para reflexão. Por que uma pessoa compra um PC com Linux e
depois instala o Windows? Não é por dificuldades de instalação e/ou
configuração. Talvez o preço seja um dos fatores, o PC com Linux é
mais barato. Então por que o Linux sendo mais barato, já estar
instalado e configurado, ser praticamente 'imune' a vírus, ser
estável, já ter grande compatibilidade com documentos do MSOffice, ser
LEGAL... por que, apesar de tudo isso, usuários ainda preferem
instalar uma cópia pirata do Windows? Reflitam..."

Se eu fosse orientar algum conhecido a comprar um PC pré-instalado com
Linux em um hipermercado brasileiro, provavelmente não iria sugerir a
ele para manter instalado o sistema operacional que acompanha o
equipamento, já que em boa parte dos casos vêm distribuições
relativamente desconhecidas, consideravelmente defasadas e com pouco
suporte da própria comunidade. Eu não instalaria uma cópia não
autorizada do MS Windows (naturalmente), e sim alguma distribuição de
Linux adequada às necessidades do usuário. Mas, nas condições acima
descritas (que felizmente não são a totalidade dos casos), não me
surpreende que as pessoas acabem optando por remover o sistema
pré-instalado.

Fonte: http://br-linux.org/noticias/003481.html

Minha avaliação inicial...

Enquanto não houver uma forte sinalização de mercado por parte dos
desenvolvedores de software para uma produção multiplataforma, tal
situação permanecerá. Não é vindo qualquer distribuição GNU/Linux nos
micros de prateleira que disseminará seu uso. Quando um usuário leigo
vê que não pode abrir aquele CDzinho que veio na revista, que não
rodará aquele joguinho que o amigo tem, que aquele aplicativo
profissional não executa noutra plataforma senão M$, vai ceder à
pirataria sem constrangimento, principalmente ao ver quanto custará
ter SO M$ legalizado.

De outra forma, acho que ainda falta maturidade da indústria de
hardware que diz apoiar o GNU/Linux. Grandes players como IBM, HP
continuam a somente oferecer máquinas desktop com plataforma M$,
inclusive alardeam publicitariamente que a melhor solução é essa. E o
que o usuário vê é o que sai na mídia, não o que a nossa Comunidade
discute. Não existe cobrança de nossa parte questionando essa linha
dúbia da indústria. Pelo menos poderiam deixar o usuário escolher,
oferecendo suporte em qualquer plataforma.

Além do mais, enquanto não houver forte sinalização dos grandes
compradores de desktop dizendo que querem uma alternativa ao
monopólio, a própria indústria se manterá atrelada ao monopólio de SO
e aplicativos. Talvez nos falte alguma estratégia de marketing por
parte das empresas que trabalham com Software Livre. Logo temos um
cliclo vicioso que impede o crescrimento do GNU/Linux nos desktops...
não temos parque crescente de usuários... logo, não há motivo para
desenvolvimento multiplataforma... logo, a indústria não oferece
soluções agregadas e com suporte... logo, não há investimento em
marketing... logo, o usuário continuma imaginando que o mundo é
somente M$... logo, não há razão para comprar-se desktops com Software
Livre originais... e quando se faz isso, logo se apela para a solução
mais simples e imediata: chamar o primeiro fornecedor alternativo.

Vi isso com uma colega de trabalho recentemente... o sobrinho ganhou
uma desktop com ótimos recursos... veio com um GNU/Linux quase
desconhecido (parece-me que uma distro brasileira adaptada por uma
pequena empresa)... ao ver que não poderia rodar os joguinhos e
programas que usa na escola, o menino abriu o berro... logo, não
adiantou tentar explicar que até poderia emular a plataforma M$...
como a colega mais nada reportou, já sei qual o resultado: formatar o
disco e instalar o padrão de mercado (legal ou não), pois nem 
redimensionar o disco é algo simples para um leigo.

Soluções para isso passam por diversas ações que não podem ficar
somente no âmbito da administração pública. São estratégias de mercado
articuladas entre a Comunidade e empresas do setor. Talvez seja a
simples decisão de vender o nosso produto que não saibamos estar
fazendo. Uma ação que dê visibilidade e garantia de suporte aos novos
usuários, pois como eu devem enfrentar sérias dificuldades para que
todas as funcionalidades de seus desktops estejam plenamente
funcionais no GNU/Linux, isso sem contar a disparidade enorme de
publicações com CDs da plataforma majoritária.

Com essa, acho que foram meus 2 reais em vez de centavos ;-)

-- 
RC Lages
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