Re: [QD-Filosofia] IMPORTANTE - LEIA

Ricardo Andere de Mello <[email protected]> Tue, 31 May 2005 18:12:21 -0300
Newsgroups gmane.org.user-groups.quilombo
Message-ID <[email protected]>
Eu falei isto no artigo e deixo bem claro neste momento. Não há problema 
se ganhar dinheiro com Software Livre, não há problema algum no fato de 
ser uma "grande empresa".
O que eu peço no artigo é apenas que se assuma quais os objetivos 
principais de uma empreitada. Mesmo porquê elas ficam claras no primeiro 
impasse que existir entre o lucro e o ético.
Eu não fiz ironia quando disse que o movimento de Código Aberto é um 
movimento legal. Os caras são organizados e gente boa, e a única coisa 
que nos difere é a resposta clássica do Linus "Uso o que for necessário 
para realizar o meu trabalho, seja o que for".
Repito novamente, o objetivo é o mesmo, (conhecimento livre), mas os 
meios e motivações para se atingir os objetivos são absolutamente 
diferentes.
Concordo que não é justo eu generalizar como as "grandes empresas" agem, 
mas o fato é que eu não tenho um só bom exemplo de doação e 
comprometimento social vindo de uma empresa grande, mas eu tenho a 
premissa de sempre dar uma chance. Eu desafio as grandes empresas a 
fazerem doações anuais a esta entidade e efetivamente não participarem 
de nenhuma decisão dela, e que todas as decisões saiam da nossa 
"confusa" comunidade.
Quando uma empresa como o Banco do Brasil faz doação para esportes, por 
exemplo, o faz em troca da publicidade nas camisetas da seleção de 
vôlei, nas arquibancadas, e na televisão. Para mim isso não é doação, é 
compra de espaço publicitário. Além disto, nem preciso dizer que somente 
os atletas mais bem qualificados são patrocinados, afinal eles possuem 
mais visibilidade. Esporte não serve apenas para os melhores, mesmo os 
piores esportistas podem ser mantidos longe da violência das ruas. O 
resultado de um esporte não se mede no cronômetro, mas nas estatísticas 
de homícidios de uma grande cidade.
Se o objetivo fosse apenas social, porquê não fazer a doação anonimamente?

Completando para você Marcus, o que humildemente peço é que os lobos não 
se vistam de chapeuzinho, porquê nesta história não tem caçador para 
salvar a vovó.

[]s, gandhi

Marcus Vinicius - UOL wrote:

> Podem me dizer o que há de tão problemático em ganhar dinheiro com 
> software livre ?
>
> Ainda não entendi ... nem mesmo se a questão é esta.
>
> Fortes abraços,
>
> Marcus Vinicius.
>
>
> Cláudio Sampaio escreveu:
>
>>On 5/31/05, Pink <lisias-iTyh1gMWHkxfJ/[email protected]> wrote:
>>  
>>
>>>Eu não vejo Software Livre como meta de vida, como objetivo de vida ou
>>>como forma de governo. Vejo Software Livre como vejo Software - uma
>>>ferramenta para atingir objetivos.
>>>    
>>>
>>
>>Tudo bem, você não vê. Mas você está falando "em nome do Software
>>Livre", então supõe-se que está seguindo a ideologia de quem originou
>>o termo. Para a Fundação do Software Livre, este *NÃO* é apenas uma
>>ferramenta: é a bandeira de um movimento social. Citação de
>>http://www.fsf.org/licensing/essays/free-software-for-freedom.html/view?searchterm=open%20source
>>:
>>
>>"As one person put it, "Open source is a development methodology; free
>>software is a social movement." For the Open Source movement, non-free
>>software is a suboptimal solution. For the Free Software movement,
>>non-free software is a social problem and free software is the
>>solution." - Tradução: "Como certa pessoa me disse, 'Código Aberto é
>>uma metodologia de desenvolvimento; software livre é um movimento
>>social'. Para o movimento de Código Aberto, software não-livre é uma
>>solução aquém do ótimo; para o movimento do Software Livre, software
>>não-livre é um problema social e software livre é a solução."
>>
>>  
>>
>>>E "progresso economico sustentável" faz parte da pauta sim. Há relatos
>>>do RMS sobre como ele usou S.L. para ganhar dinheiro. Não só isso, ele
>>>incentiva a prática.
>>>As palestras do Maddog também são neste sentido.
>>>    
>>>
>>
>>Não confunda as coisas. O Movimento do Software Livre (que não é a
>>mesma coisa que o Stallman) não trata a questão de vender softwares
>>(livres) como anti-ética, mas trata, obviamente, a questão do software
>>proprietário como anti-ética. O que é diferente de fazer da venda de
>>software livre a meta do movimento do Software Livre; a meta é social.
>>Mais detalhes aqui:
>>http://www.fsf.org/licensing/essays/pragmatic.html/view
>>
>>  
>>
>>>O que eu penso também é baseado nos textos que li na FSF. Mas não somente.
>>>    
>>>
>>
>>  
>>
>>>Leio artigos do RMS, mas também do Maddog, do ESR e de outros expoentes
>>>do S.L.
>>>    
>>>
>>
>>Tudo bem, mas então não fale em nome do Software Livre (e do Quilombo
>>Digital). Até onde estou informado, o Quilombo segue as linhas do
>>movimento de Software Livre, não do de Código Aberto, certo?
>>
>>  
>>
>>> > Talvez você esteja certo se estiver se
>>>    
>>>
>>>>referindo ao movimento "open source" (código aberto). Mas aí já não
>>>>estamos falando sobre a perspectiva do "Software Livre".
>>>>      
>>>>
>>
>>  
>>
>>>De acordo com a FSF, Código Aberto é uma modalidade de S.L. :
>>>    
>>>
>>
>>  
>>
>>>http://www.fsf.org/licensing/essays/categories.html
>>>    
>>>
>>
>>  
>>
>>>Mas concordo com vc que Código Aberto possui outras finalidades.
>>>    
>>>
>>
>>Não foi bem isso que a FSF disse. Esclarecimentos aqui:
>>http://www.fsf.org/licensing/essays/free-software-for-freedom.html/view
>>- as metas são diferentes, a ideologia de suporte é diferente. As
>>licenças é que são praticamente iguais, daí a parte de "categories"
>>estar em "licensing" no URL que você citou. Mas é de se esperar que as
>>decisões difiram em diversos contextos, dados os enfoques díspares.
>>
>>  
>>
>>>>A filosofia do Software Livre segue uma meta e esta meta não muda de
>>>>acordo com quem traz o progresso para sua implantação. Portanto, o que
>>>>você disse não me parece ter sentido. Seria desvirtuar filosofia e
>>>>propósito do Software Livre em si.
>>>>      
>>>>
>>
>>  
>>
>>>Isto é elitismo puro e simples.
>>>    
>>>
>>
>>Se manter a meta firme de manter a liberdade pode ser chamada de
>>elitismo, qualquer meta pode ser chamada assim. Posso dizer a mesma
>>coisa da sua meta de comércio.
>>
>>  
>>
>>>É simplesmente impossível reunir pessoas (e organizações diferentes) sob
>>>uma causa qualquer sem admitir discussões (e eventuais ataques) à
>>>"filosofia" que os une.
>>>    
>>>
>>
>>Mas a situação é diferente. As pessoas adotam uma filosofia para
>>perseguir uma causa, não o contrário. A meta é a "liberdade de
>>software" e, se você discorda dessa meta, então você simplesmente
>>rompe todos os pressupostos; outra filosofia, outra ótica, outra
>>conversa tem que ser adotada. Se sua meta é lucro, ou você se atém à
>>meta com que todos concordam da liberdade de software e advoga que o
>>lucro também pode ser alcançado, ou simplesmente diz que a meta de
>>lucro passa a ser a principal - e assume publicamente que discorda de
>>todos que concordam com aquela ideologia, e tem que começar toda a sua
>>defesa do zero.
>>
>>É claro que, caso você queira defender outros meios de se cumprir a
>>meta da liberdade de software, vai ser mais fácil convencer as
>>pessoas, mas não é isso que você está fazendo.
>>
>>  
>>
>>>Pessoas diferentes, pensamentos diferentes, diferentes formas de "ver" a
>>>filosofia.
>>>    
>>>
>>
>>Acredito que estas "diferentes formas de ver" não existam, sejam
>>apenas erros de interpretação. Como disse antes, acho as páginas da
>>fsf.org bem claras, cristalinas.
>>
>>  
>>
>>>Se uma organização não admite questionamentos sobre a filosofia que a
>>>rege, que mantenha isto bem claro desde o começo e negue toda e qualquer
>>>contribuição de quem esteja disposto à questioná-la.
>>>    
>>>
>>
>>Acho que se não admitisse questionamentos não teríamos nem muitas
>>listas de discussão e nem estaríamos discutindo aqui, sua consideração
>>me pareceu mais retórica do que contestatória. Só que a lógica de
>>argumentação, pura e simples, nos diz o que eu já falei de romper as
>>bases de toda a filosofia subjacente.
>>
>>  
>>
>>>>Sim, pois ser óbvio é diferente de "ser o mais certo".
>>>>      
>>>>
>>>Na minha opinião, é o mais certo. Vivemos numa comunidade que prega o
>>>que convencionamos chamar de Meritocracia, certo? Se o cara (ou
>>>organização) possui mérito, então possui o direito de interferir. E a
>>>comunidade que se auto-ajuste em torno das repercussões.
>>>    
>>>
>>
>>A meritocracia assim dita vem na verdade dos livros do Eric Raymond e
>>estão ligados ao aspecto de desenvolvimento de Software de "Código
>>Aberto" como escritos no livro "A Catedral e o Bazar" e seus volumes
>>posteriores. Não concordo que seja automática e sem empecilhos sua
>>passagem para a filosofia do Software Livre, esta deve ser feita com
>>cuidado. Além disso, a meritocracia em questão se refere ao software e
>>ao status; desenvolvedores de software com mais "mérito" têm mais
>>acesso no software em que mexem (e talvez em outros), assim como mais
>>voz, visibilidade e responsabilidade.
>>
>>  
>>
>>>Obviavemente, eu posso estar errado e a Comunidade de Software Livre
>>>seja apenas mais uma organização dogmática como tantas outras.
>>>    
>>>
>>
>>Você não demonstrou que o Software Livre é dogmático.
>>
>>  
>>
>>>Como tantas outras que se esquecem que o mais importante não é uma ou
>>>outra ferramenta, mas o mais importante é GENTE.
>>>São as pessoas que deveriam ser o objetivo de toda e qualquer filosofia.
>>>É, em última instância, *para as pessoas* que as lutas por liberdade
>>>ocorrem.
>>>    
>>>
>>
>>E por que você insinua que a filosofia de Software Livre não tem foco
>>nas pessoas? Não entendi a amarração lógica de todo o papo atrás com
>>estas frases.
>>
>>  
>>
>>>Não estou falando disso. AFAIK, o foco da discussão era ver como
>>>indesejável que empresas e outras organizações comerciais intervenham
>>>dentro da comunidade, mesmo quando colaboram com ela.
>>>    
>>>
>>
>>Depende da intervenção, ué. Falando assim em termos gerais não dá pra
>>concluir nada, nem mesmo se a intervenção seria "indesejável" ou
>>"desejável". Segue a filosofia assumida pelos proponentes (Software
>>Livre)? Então acho que podemos classificar como "desejável". Não
>>segue? Indesejável, embora possa ser "permitida" (por exemplo, um
>>webmaster que respeite a licença GPL do mambo mas não coloque os
>>créditos do CMS em sua página).
>>
>>  
>>
>>>Em miúdos, a comunidade desejar que tais organizações apenas colaborem
>>>"e calem a boca".
>>>    
>>>
>>
>>Acho que ajudaria se você desse um caso concreto disto, colocasse exemplos.
>>
>>Patola
>>  
>>
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