Re: [QD-Filosofia] Meritocracia?
<luisccmail-quilombo-/E1597aS9LRfJ/[email protected]> Sat, 28 May 2005 20:28:01 -0300 (ART)
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| Message-ID | <[email protected]> |
--- Marcus Vinicius <mvbsoares-/1Rj0zDCqbBfyO9Q7EP/[email protected]> escreveu: > Eu acho que a definição de meritocracia na WikiPedia deve ser lida > novamente ... ?? (!!) [algumas tentativas de interpretação diferente] (!!!!) Eu tentei interpretar de outras formas, mas não consegui mudar minha opinião sobre o que está escrito. Talvez você possa oferecer uma nova visão sobre o texto... por favor? > Ricardo Andere de Mello escreveu: > > Quando comecei a ler o texto e você colocou o termo "esforço" eu > > pensei imediatamente em "esforço em liberar o código". > > Deste modo é melhor que a combinação com "doação", pois a IBM por > > exemplo faz muita doação (financeira e de tempo) e ainda assim também > > não é totalmente aceita no mundo SL. Hum. O exemplo é fraco. Muita gente vê a IBM com bons olhos, do ponto de vista do Open-Source. Ainda assim, eles investiram recursos (financeiros, know-how) e também liberaram código (veja o processo cível "SCO versus IBM"). > > Deve existir um vetor que aponte para a liberação do conhecimento e > > julgo isto mais importante até mesmo que o know-how. Por este motivo > > mesmo tradutores e colaboradores conseguem ter uma posição de respeito > > na comunidade, tão importante quanto a dos desenvolvedores. Eu enxergo três vetores distintos, indispensáveis à existência de Software Livre. Por falta de nomes melhores, eu vou compará-los ao sistema de coordenadas cartesiano: No eixo "X", temos "interesse financeiro", traduzido como o investimento de diversos recursos que podem ser facilmente adquiridos por dinheiro, em suas diferentes representações modernas: tempo, horas de trabalho (em análise, modelagem, programação, construção de websites e gerenciamento de bancos de dados, entre outros), recursos computacionais (máquinas, links com a internet, hosting, etc). No eixo "Y", temos "interesses pessoais" e "interesses políticos" (talvez eu devesse desmembrar isso em dois eixos?): know-how (leia-se: "'saber fazer' associado com 'interesse em fazer'") não tem preço, e, segundo os ideais do Software Livre, deve ser tratado como o "commoditie" mais barato do planeta: entregamos "know-how" gratuitamente sob a forma de software e documentação em tudo o que fazemos. Por esta "característica", não consigo fazer com que o know-how das pessoas e das empresas possa ser quantificado "monetariamente", e assim não se alinham com o "eixo X". No eixo "Z", temos a "força filantrópica" (desculpem, eu ainda não encontrei um nome apropriado para isso -- sugestões são bem-vindas), que influencia empresas e pessoas a usar e contribuir para o software livre em diversas formas. Essa "força" é função direta de fatores políticos intra e extra-corporativos, e também de fatores de foro íntimo e relações inter-pessoais. Por exemplo, empresas que acreditam nas vantagens da contribuição como forma de mostrar a seus clientes que estão "preparados para adotar e oferecer soluções de código fonte aberto" (como a IBM), e pessoas que desejam status ou reconhecimento (dos outros) e ainda pessoas que buscam satisfação pessoal. Eu enxergo o software livre como um "volume" definido dentro do "subespaço vetorial" definido dentro do espaço vetorial dado por estes três eixos. Dentro deste "subespaço vetorial", quer dizer, onde há quantidades suficientes de "Interesse Financeiro", "Interesses Pessoais" e "Força Filantrópica", existem condições ideais para o desenvolvimento de software livre. Bom, os nobres colegas filósofos devem estar se perguntando neste momento de que vale tal sistematização, do ponto de vista de ajudar o software livre a se desenvolver, e onde este humilde aprendiz deseja chegar definindo o dito modelo. A questão é ao mesmo tempo simples e intrigante: como podemos "fomentar" uma determinada coisa se não conhecemos as condições necessárias e suficientes para o seu desenvolvimento? Um cultivador de cogumelos não expõe suas matrizes à luz do sol, pois sabe que esta as destruirá. Também um criador de rezes não permite a existência de predadores em seu território, pois sabe de antemão que o prejuízo é certo. Por que os "cultivadores de software livre" não devem então compreender e documentar corretamente as condições necessárias ao desenvolvimento do software livre? É motivado por esta questão que eu proponho a modelagem e sistematização das condições necessárias e suficientes para o desenvolvimento do modelo de negócio do software livre, como forma de auxiliar o planejamento de ações em prol do movimento. Note o leitor que este modelo não pode ser chamado "correto" nem dito "fechado", sob o ponto de vista de refletir a realidade modelada. Ele é apenas o começo de um formalismo que certamente fugirá ao controle de um único autor, e receberá, como toda idéia "open-source", contribuições e ajustes necessários ao seu desenvolvimento e corretude. Eu adoraria ter um modelo "aproximadamente completo" e relativamente formal das condições necessárias e suficientes ao desenvolvimento do software livre. Lamentavelmente, não sou capaz de construir tal modelo sozinho. Adoraria ter contribuições de todos os quilombolas digitalizados no sentido de completar e corrigir meu modelo inicial, tornando-o uma referência interessante para a reflexão, análise e planejamento de ações e previsão de comportamento da sociedade e da economia baseada no software livre. O texto e as idéias expostas neste email pertencem ao Quilombo Digital, sob a licensa GPL. Obrigado a todos os pacientes leitores que me seguiram até aqui. -- Luis Campos de Carvalho Member of "São Paulo Perl Mongers", Unix SysAdmin & OCP/DBA Oracle http://br.geocities.com/monsieur_champs/ __________________________________________________ Converse com seus amigos em tempo real com o Yahoo! Messenger http://br.download.yahoo.com/messenger/ _______________________________________________ Quilombodigital-filosofia mailing list Quilombodigital-filosofia-lWjjnNBg0S7cOli+L/M/[email protected] http://listas.quilombodigital.org/mailman/listinfo/quilombodigital-filosofia