[QD-Filosofia] Será que existe mercado para Distribuições Linux não comerciais?
Fernando Ike <fernando-epMFR6Q3tiJwFqzsTH5u/[email protected]>
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Saiu recentemente na Viva O Linux...
Crônica de um administrador de rede
Será que existe mercado para Distribuições Linux não comerciais?
Freqüentemente questionam-me porque é tão difícil trabalhar com o
triunvirato dos hacker's Linux DGS (Debian, Gentoo, Slackware).
A maioria, adestrados por sistemas operacionais proprietários,
acostumados a ter ferramentas auxiliando a manutenção ou a configuração
de programas, ao mesmo tempo que facilitam o trabalho, também viciam,
pois são pouco transparentes quando precisamos de algo mais avançado ou
uma personalização maior de programa. Claro que elas tem seu valor, sem
dúvida, mas o problema começa quando aprisionam o usuário ou
administrador pela facilidade, limitando o conhecimento e o conceito de
uma aplicação ao superficial.
Para os usuários comuns, as ferramentas de configuração são fantásticas
e devem existir para eles, a preocupação é quando um administrador de
rede usa as mesmas para seu trabalho cotidiano. Quando comecei trabalhar
com sistemas *NIX não conseguia usar praticamente nada, rede, ambiente
gráfico, som, internet e reinstalava muitas vezes com diferente sabores
de Linux's procurando alguma que se adequasse as minhas necessidades, ou
porque alguma coisa não funcionava.
Fui por muito tempo usuário de uma distribuição Linux nacional porque
estava em português, tinha ferramentas que facilitavam muito as
configurações. Mas quando comecei trabalhar profissionalmente com Linux
comecei a encontrar dificuldades, pois estava viciado pelas ferramentas
gráficas que facilitavam demais e acabava perdendo muito tempo
reinstalando um programa ou até mesmo um sistema operacional inteiro por
que algo não rodava perfeito.
Algumas semanas sem dormir e irritado por ter muitos problemas com chefe
e clientes, um amigo me disse: "Cara, o problema está contigo, você pode
usar qualquer distribuição desde que saiba os conceitos usados num
servidor de email, de arquivos, DNS, etc".
Em outro momento ele comentou comigo: "As distribuições não comerciais
(desenvolvidas pela comunidade) são o caminho para todo administrador".
Desde então comecei a usar as distribuições conhecidas como difíceis,
hardcore, etc. Percebi algumas diferenças importantes e cativantes, tais
como:
1. Documentação abundante: muitas dos problemas e personalizações
são relativamente fáceis de resolver, ler a documentação ajuda a
evitar muita dor de cabeça.
2. As comunidades em torno destas distribuições são grandes e estão
sempre dispostas ajudar.
3. Se tiver alguma alteração de uma versão para outra, esta se
encontrará bem documentada.
4. Mas a Distribuição X ou Y tem uma empresa bancando o projeto,
então posso responsabilizar a empresa. Esse é um grande mito,
quem tem a responsabilidade sobre uma implantação, instalação e
suporte não é necessariamente a empresa que desenvolveu sua
versão do Linux e sim quem fez o serviço, afinal quem vira a
noite trabalhando para cumprir o prazo ou viabilizar o projeto é
a empresa ou pessoa responsável pelo serviço?
Não limite-se à uma distribuição específica, afinal, em muitos locais
existem redes heterogêneas e com certeza terá que se usar algum sistema
operacional ou programa que não goste.
Não entre nas guerras santas "meu editor de texto é melhor", "tal
linguagem é superior", "banco de dados tal é mais rápido", etc. Claro
que temos preferências, ainda bem que temos, mas o importante é saber
qual será a melhor solução para o problema.
Procure entender sempre o conceito da solução, isso ajudará a aplicá-la
com maior eficiência e segurança, rapidez em implantar alguma solução
sem planejamento e teste não explora todo potencial da estrutura usada.
Documente seu aprendizado, para muitos é muito chato (incluo-me), mas é
fundamental, afinal, algum momento você poderá precisar dele.
Explore ao máximo a distribuição que você usa, particularmente umas três
citadas no começo, elas forçam a usuário estar testando seu conhecimento
e superando seus limites. O Debian, Gentoo e Slackware são mais do que
produtos, eles possuem uma filosofia, buscam a excelência e suas
comunidades são muito ativas. Claro que as distribuições comerciais tem
seu valor e terão mercado para elas, assim como outras distribuições não
citadas neste texto.
A maioria dos Linux instalados por mim são distribuições não comerciais,
sendo que mais de 70% são estações de trabalho e o cliente não tem a
menor idéia que estão usando Debian, Gentoo ou Slackware, afinal para
eles o que interessa é que funcione.
Referências - "Desabafo: coisa para quem sabe" - Piter Punk em:
http://www.geek.com.br/modules/secoes/ver.php?id=238&sec=60
OBS: Por mera convenção, GNU/Linux foi substituído por Linux.
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Fernando Ike - ikenet.com.br
Futuro breve... Mondo Debian - http://www.mondodebian.com.br
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