Re: [QD-Filosofia] IMPORTANTE - LEIA
Cláudio Sampaio <[email protected]> Tue, 31 May 2005 17:04:05 -0300
| Newsgroups | gmane.org.user-groups.quilombo |
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| Message-ID | <[email protected]> |
On 5/31/05, Pink <lisias-iTyh1gMWHkxfJ/[email protected]> wrote: > Eu não vejo Software Livre como meta de vida, como objetivo de vida ou > como forma de governo. Vejo Software Livre como vejo Software - uma > ferramenta para atingir objetivos. Tudo bem, você não vê. Mas você está falando "em nome do Software Livre", então supõe-se que está seguindo a ideologia de quem originou o termo. Para a Fundação do Software Livre, este *NÃO* é apenas uma ferramenta: é a bandeira de um movimento social. Citação de http://www.fsf.org/licensing/essays/free-software-for-freedom.html/view?searchterm=open%20source : "As one person put it, "Open source is a development methodology; free software is a social movement." For the Open Source movement, non-free software is a suboptimal solution. For the Free Software movement, non-free software is a social problem and free software is the solution." - Tradução: "Como certa pessoa me disse, 'Código Aberto é uma metodologia de desenvolvimento; software livre é um movimento social'. Para o movimento de Código Aberto, software não-livre é uma solução aquém do ótimo; para o movimento do Software Livre, software não-livre é um problema social e software livre é a solução." > E "progresso economico sustentável" faz parte da pauta sim. Há relatos > do RMS sobre como ele usou S.L. para ganhar dinheiro. Não só isso, ele > incentiva a prática. > As palestras do Maddog também são neste sentido. Não confunda as coisas. O Movimento do Software Livre (que não é a mesma coisa que o Stallman) não trata a questão de vender softwares (livres) como anti-ética, mas trata, obviamente, a questão do software proprietário como anti-ética. O que é diferente de fazer da venda de software livre a meta do movimento do Software Livre; a meta é social. Mais detalhes aqui: http://www.fsf.org/licensing/essays/pragmatic.html/view > O que eu penso também é baseado nos textos que li na FSF. Mas não somente. > Leio artigos do RMS, mas também do Maddog, do ESR e de outros expoentes > do S.L. Tudo bem, mas então não fale em nome do Software Livre (e do Quilombo Digital). Até onde estou informado, o Quilombo segue as linhas do movimento de Software Livre, não do de Código Aberto, certo? > > Talvez você esteja certo se estiver se > > referindo ao movimento "open source" (código aberto). Mas aí já não > > estamos falando sobre a perspectiva do "Software Livre". > De acordo com a FSF, Código Aberto é uma modalidade de S.L. : > http://www.fsf.org/licensing/essays/categories.html > Mas concordo com vc que Código Aberto possui outras finalidades. Não foi bem isso que a FSF disse. Esclarecimentos aqui: http://www.fsf.org/licensing/essays/free-software-for-freedom.html/view - as metas são diferentes, a ideologia de suporte é diferente. As licenças é que são praticamente iguais, daí a parte de "categories" estar em "licensing" no URL que você citou. Mas é de se esperar que as decisões difiram em diversos contextos, dados os enfoques díspares. > > A filosofia do Software Livre segue uma meta e esta meta não muda de > > acordo com quem traz o progresso para sua implantação. Portanto, o que > > você disse não me parece ter sentido. Seria desvirtuar filosofia e > > propósito do Software Livre em si. > Isto é elitismo puro e simples. Se manter a meta firme de manter a liberdade pode ser chamada de elitismo, qualquer meta pode ser chamada assim. Posso dizer a mesma coisa da sua meta de comércio. > É simplesmente impossível reunir pessoas (e organizações diferentes) sob > uma causa qualquer sem admitir discussões (e eventuais ataques) à > "filosofia" que os une. Mas a situação é diferente. As pessoas adotam uma filosofia para perseguir uma causa, não o contrário. A meta é a "liberdade de software" e, se você discorda dessa meta, então você simplesmente rompe todos os pressupostos; outra filosofia, outra ótica, outra conversa tem que ser adotada. Se sua meta é lucro, ou você se atém à meta com que todos concordam da liberdade de software e advoga que o lucro também pode ser alcançado, ou simplesmente diz que a meta de lucro passa a ser a principal - e assume publicamente que discorda de todos que concordam com aquela ideologia, e tem que começar toda a sua defesa do zero. É claro que, caso você queira defender outros meios de se cumprir a meta da liberdade de software, vai ser mais fácil convencer as pessoas, mas não é isso que você está fazendo. > Pessoas diferentes, pensamentos diferentes, diferentes formas de "ver" a > filosofia. Acredito que estas "diferentes formas de ver" não existam, sejam apenas erros de interpretação. Como disse antes, acho as páginas da fsf.org bem claras, cristalinas. > Se uma organização não admite questionamentos sobre a filosofia que a > rege, que mantenha isto bem claro desde o começo e negue toda e qualquer > contribuição de quem esteja disposto à questioná-la. Acho que se não admitisse questionamentos não teríamos nem muitas listas de discussão e nem estaríamos discutindo aqui, sua consideração me pareceu mais retórica do que contestatória. Só que a lógica de argumentação, pura e simples, nos diz o que eu já falei de romper as bases de toda a filosofia subjacente. > > Sim, pois ser óbvio é diferente de "ser o mais certo". > > Na minha opinião, é o mais certo. Vivemos numa comunidade que prega o > que convencionamos chamar de Meritocracia, certo? Se o cara (ou > organização) possui mérito, então possui o direito de interferir. E a > comunidade que se auto-ajuste em torno das repercussões. A meritocracia assim dita vem na verdade dos livros do Eric Raymond e estão ligados ao aspecto de desenvolvimento de Software de "Código Aberto" como escritos no livro "A Catedral e o Bazar" e seus volumes posteriores. Não concordo que seja automática e sem empecilhos sua passagem para a filosofia do Software Livre, esta deve ser feita com cuidado. Além disso, a meritocracia em questão se refere ao software e ao status; desenvolvedores de software com mais "mérito" têm mais acesso no software em que mexem (e talvez em outros), assim como mais voz, visibilidade e responsabilidade. > Obviavemente, eu posso estar errado e a Comunidade de Software Livre > seja apenas mais uma organização dogmática como tantas outras. Você não demonstrou que o Software Livre é dogmático. > Como tantas outras que se esquecem que o mais importante não é uma ou > outra ferramenta, mas o mais importante é GENTE. > São as pessoas que deveriam ser o objetivo de toda e qualquer filosofia. > É, em última instância, *para as pessoas* que as lutas por liberdade > ocorrem. E por que você insinua que a filosofia de Software Livre não tem foco nas pessoas? Não entendi a amarração lógica de todo o papo atrás com estas frases. > Não estou falando disso. AFAIK, o foco da discussão era ver como > indesejável que empresas e outras organizações comerciais intervenham > dentro da comunidade, mesmo quando colaboram com ela. Depende da intervenção, ué. Falando assim em termos gerais não dá pra concluir nada, nem mesmo se a intervenção seria "indesejável" ou "desejável". Segue a filosofia assumida pelos proponentes (Software Livre)? Então acho que podemos classificar como "desejável". Não segue? Indesejável, embora possa ser "permitida" (por exemplo, um webmaster que respeite a licença GPL do mambo mas não coloque os créditos do CMS em sua página). > Em miúdos, a comunidade desejar que tais organizações apenas colaborem > "e calem a boca". Acho que ajudaria se você desse um caso concreto disto, colocasse exemplos. Patola -- http://linuxfud.org - o TIRA-TEIMA dos ataques ao software livre! (Em fase beta!)